domingo, 22 abril 2012 16:38

Maior Lixão da América Latina – no RJ – será desativado, e cria polêmicas

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O fechamento do maior lixão da América Latina deixará sem trabalho cerca de 1,2 mil pessoas que vivem de vender o material de valor que encontram entre as 8,4 mil t de resíduos que são geradas diariamente no Rio de Janeiro. A baía de Guanabara e a sociedade ganha com isso, mas o que fazer com a comunidade e trabalhadores que vivem no e do lixão?

O despejo de Jardim Gramacho ocupa uma enorme área no município de Duque de Caxias, região metropolitana do Rio, e se encontra às margens da baía da Guanabara, cartão postal que contrasta com as montanhas de lixo que todos os dias são despejadas no lugar por dezenas de caminhões.

Inaugurado em 1976, durante o regime militar que governou o Brasil de 1964 a 1985, esse aterro sanitário provocou um alto impacto ambiental pela decomposição do lixo, que gera gás metano, um dos responsáveis pelo aquecimento global. Grande quantidade dos resíduos gerados no Rio e em vários municípios vizinhos termina ali, chegando em caminhões que derramam no solo os detritos que ao cair exalam um cheio desagradável e atraem uma infinidade de moscas e abutres.

Antes, 70% do lixo do Rio de Janeiro chegava a Jardim Gramacho, mas desde que em 2011 foi aberto o Centro de Tratamento de Resíduos de Seropédica, a 75 km da capital fluminense, a quantidade foi se reduzindo. Atualmente, cerca 2 mil t de lixo são despejadas nesse aterro sanitário todos os dias, ou seja, 25% do que recebia alguns anos atrás, segundo dados da prefeitura.

Da coleta e posterior venda de metal, papel, papelão e plástico vivem os catadores, que junto a suas famílias passam o dia entre enormes pilhas de lixo. Um trabalhador explicou à Agência Efe que por 1 kg de cobre, o material mais procurado, é possível obter até R$ 9, enquanto 1 kg de alumínio vale R$ 2 e 1 kg de plástico, apenas R$ 1. Celso Melquits, que trabalha no Jardim Gramacho há 18 anos, conta que houve uma época na qual podia ganhar mais dinheiro que um professor, e não os R$ 6 por dia que consegue agora. "Se você se movimentasse bem, podia tirar até US$ 150 por dia; agora não se alcança mais que o suficiente para o aluguel, um café e uma empada", disse Melquits.

A alguns passos dele, Elaine, 24 anos, usa um chapéu e luvas de plástico para não sujar seu cabelo nem estragar o esmalte de suas unhas. A jovem está terminando seus estudos e pretende ser cabeleireira, mas enquanto isso trabalha no lixão para se sustentar.

Desde que a prefeitura e o governo do Estado decidiram que fechariam o lugar, os catadores passaram a negociar com as autoridades para tentar obter uma indenização. A maioria dos trabalhadores do aterro sanitário trabalha no local há mais de 15 anos e teme não encontrar um novo modo de sobrevivência, e por isso reivindicam que as autoridades não os esqueçam sem uma compensação.

Outros pensam que o Estado veio para ajudá-los, como Ivan, que trabalha há 20 anos no Jardim Gramacho e pensa em usar o dinheiro que receberá para abrir um negócio em cooperativa com outros companheiros. "Necessitamos esse dinheiro para empreender algum negócio ou para sobreviver até que encontremos um novo trabalho", diz Juliano, 36 anos, que trabalha no despejo desde que chegou de São Paulo, quando tinha apenas 14. Ele acredita que os catadores merecem receber essa ajuda das autoridades e ameaça empreender uma revolta se isso não acontecer, embora reconheça que prefere uma solução pacífica.

O fechamento definitivo do despejo estava previsto para este mês, mas a prefeitura o adiou para maio perante a falta de um acordo com os trabalhadores que vivem de reciclar o lixo, que se associaram há menos de dois anos e que em conjunto receberão cerca de R$ 21 milhões como indenização.

Mas, nem todas as histórias são de pessoas que buscam um sustento longe da criminalização, se não considerar crime condições de trabalho insalubre sem regras e sem leis. A nova novela das 21h da Rede Globo, “Avenida Brasil” mostra o outro lado da realidade. A exploração do trabalho infantil, e o uso dos ganhos para vícios, no caso da novela, alcoolismo.

Não podemos generalizar, mas será que a indenização resolve?  E será que basta apenas acabar com o lixão.

Um trabalho às margens da Baía de Guanabara precisa ser feito, para recuperar os anos de descaso.

Algumas soluções são apresentadas por especialistas a respeito do lixo como acondicionamento do resíduo sólido (lixo); · transporte do resíduo sólido (lixo); coleta seletiva; reciclagem; armazenamento do resíduo final; e outros.

É muito importante que haja investimento e qualificação profissional. Hoje em dia as coletas são feitas de maneira grosseira. Os caminhões de lixo deixam as ruas mais sujas do que antes da coleta. É uma economia porca que o governo faz. E os então cidadãos que poderiam ter sido capacitados e terem uma vida mais digna por custo menor, ganham uma indenização que por sorte será bem utilizada.

Seria importante um trabalho social amplificado. Pagar para o governo é fácil <<quando lhe convém>>, porém mapear as famílias e indivíduos presentes, saber a importância daquele trabalho na vida de cada um, e redirecioná-los individualmente conforme a real importância daquele trabalho em suas vidas, seria um interesse humano que vai além das políticas que nos é apresentada. Uma jovem como Eliana, citada acima, talvez só precise de uma bolsa de estudos e orientações voltadas para os seus estudos e o negócio que pretende abrir, que é um salão de cabeleireira.

Precisamos de mobilização da comunidade e das autoridades para garantir o resgate da qualidade de vida do homem e de seu meio. Campanhas que orientam a comunidade, debates nas escolas, fiscalização dos lixões, construções de aterros sanitários, implantação da coleta seletiva, são algumas das primeiras atitudes que deveriam ser tomadas pelas autoridades, além do incentivo aos grupos ambientais locais que poderiam ajudar na tarefa de fiscalização e divulgação para a sociedade das campanhas desenvolvidas. Se a comunidade e as autoridades locais trabalharem juntas poderão aumentar o padrão de vida da população. Mas, se trabalhar junto parece uma utopia, não deveríamos deixar de fazer nossa parte, por menor que seja.

Fechar um lixão pode ser positivo, repensar as próprias atitudes pode ser milagroso. Aquele que joga sua guimba de cigarro nas areias das praias, ou os que acham que seu carro não tem espaço para guardar uma garrafinha, ou pequeno papel de bala, até que possa jogar numa lixeira, ao invés de lançar pela janela, não terá o mínimo de consciência para discutir a questão amplamente, e esperar por mudanças significativas. Porém, repensar a vida dessas pessoas, pode ser uma boa maneira e bom começo de repensar como temos tratado nosso meio ambiente, entenda-se o meio na qual vivemos... há quem não o veja assim.

Foto: Lixão não é lugar de criança. Elas podem ser felizes, mas continua não sendo o lugar delas. Não nos acostumemos com o descaso. Não aprendamos naturalizar o desumano. Nossos créditos ao "Esquecidos.org" <<acessar portal>> que realiza trabalhos sociais  onde o único lucro é mudar a vida das pessoas.

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