terça, 07 agosto 2018 19:44

20 anos da Lei Maria da Penha, e estão tentando calar as “Marielles”. Oi!?

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Hoje a timeline das suas redes sociais só vai dar a publicidade para denunciar a violência contra a mulher discando do seu telefone para o número 180. Um serviço que funciona 24 horas por dia, de segunda a domingo, inclusive feriados. A ligação é gratuita e pode ser feita de qualquer lugar do Brasil. Mas, será que é MIMIMI? Será que as mulheres não são tão vitimas assim? Elas não estão contribuindo para essa violência? Isso não é mídia? Olha o fuzuê com a tal da Mariella! Será?

 

 

Às vésperas de uma data importante, como a consolidação da Lei Maria da Penha, testemunhamos através da mídia as agressões feitas de um marido a sua esposa, resultando a sua morte (a vítima teria sido jogada do prédio, e na hipótese de defesa do acusado, teria se jogado, não conseguindo fugir do mesmo  não sobra hipótese positiva nesse caso - saiba mais clicando aqui). Notícias como essa chocam, porém representa um número crescente.para essa violência? Isso não é mídia? Olha o fuzuê com a tal da Mariella! Será?

Segundo o portal  “Relógio da Violência” a cada 7.2 segundos uma mulher é vítima DE VIOLÊNCIA FÍSICA. A cada 6.9 segundos uma mulher é vítima de perseguição. E o ponteiro desse relógio não para por aí. No Portal você encontrará dados assustadores em uma plataforma dinâmica, com dicas de como buscar ajuda e prevenir a violência.

“O mundo modifica para os que reagem”

Carolina de Jesus, escritora

#TáNaHoraDeParar esses relógios. Acesse o portal do Instituto Maria da Penha para ver mais dados e dicas de como prevenir a violência e denunciar – clica aqui 

Só as MULHERES sabem o que é desde sempre ter dentro de si um medo de ir à rua, numa padaria, em um mercado, principalmente a noite, como medo de sofrer algum tipo de assédio ou violência. Nascer na condição de mulher, já é nascer na resistência. Mas, nascer mulher e negra, é uma missão mais difícil ainda.

Mulheres Negras

Em março desse ano uma representante das mulheres negras das favelas (quantos estigmas presos nessas três palavras), a vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco, foi assassinada. Morte que repercute na mídia até hoje, pois mesmo com imagens do carro, sabendo a procedência das balas da arma de fogo utilizada, não foram apontados os assassinos.  Porém, seu nome também passou a repercutir com a publicação da  Lei 8.054/18, da deputada Enfermeira Rejane (PCdoB), que criou o Dia Marielle Franco – Dia de Luta contra o Genocídio da Mulher Negra. A lei estabelece que instituições públicas e privadas promovam debates e palestras na data, com o objetivo de incentivar a reflexão sobre o assassinato de mulheres negras no Brasil. Segundo o Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência de 2017, elaborado pela Secretaria Nacional de Juventude em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), a possibilidade de jovens negras de 15 a 29 anos serem mortas é o dobro da de brancas na mesma faixa etária.

EM 2015, o assassinato de mulheres negras aumentou (54%) enquanto o de brancas diminuiu (9,8%). (Fonte Mapa da Violência 2015).

Contra fatos, não há argumentos!

Mas, porque Marielle? Só porque dá mídia... E todas as outras mulheres anônimas?

Primeiro, não teria como homenagear todas. Podem acreditar, para além da Maria da Penha, muitas foram agredidas antes delas, e muitas são até hoje. Segundo, temos que entender a palavra “representatividade”. 

A lei foi criada e motivada pela comoção que gerou a morte de Marielle, que morreu por sair do anonimato e ter coragem de confrontar policiais, bandidos e políticos em prol das mulheres, e principalmente das mulheres negras da favela. Em um pouco mais de um ano de mandato apresentou Projetos significativos.  Um de seus projetos leis levanta a seguinte bandeira #AssédioNãoÉPassageiro. Outro Projeto, era o de mais casas de partos. Também, tinha o projeto de Espaço Infantil Noturno, considerando número de mulheres que trabalhavam a noite e não tinham com quem deixar seus filhos. Conheça os projetos – acesse aqui. Além dos estigmas já citados, a vereadora mesmo após a morte, recebeu chacotas por ser lésbica. Mais uma causa que  a vereadora foi porta voz.   

Leia aqui >>>  “Nós somos o primeiro país do mundo em feminicídio trans”, alerta psicóloga e ativista trans" - Jaqueline Gomes de Jesus foi a primeira mulher trans e negra a receber a medalha Chiquinha Gonzaga

A discriminação e hipocrisia nessa país não tem encontrado limite. Se pensarmos que parte dos  brasileiros que julgam e são avessos essa representatividade, tornam como MITO aquele que passa 28 anos no governo, e o projeto considerado mais significativo por seus eleitores é a castração química de estupradores e fuzilamento de bandidos (com a  ressalva que alguns inocentes terão que ser atingidos)... Se liga! Precisa maturidade e conhecimento para propor políticas públicas. E não são as propostas políticas que "tem acabado"com o país, são todos esses que não permitem sua execução, cortando verbas, deturpando conceitos e dando canetas que retrocedem naquilo que foi conquista e luta de classes. Para além da representatividade de Marielle , não podemos esquecer o que representa seu assassinato – um recado para a sociedade desses assassinos - que os mesmos não toleram e irão calar aqueles que defendem os direitos humanos. (E mais uma vez, o MITO de parte da nossa sociedade é aquele que deturpa e combate esses direitos).

Para a turma do MIMIMI, Marielle nascida e criada na Maré, não era a “pobre negra querendo privilégios”. Se formou em Ciências Sociais pela PUC-Rio, onde foi bolsista, e fez mestrado em Administração Pública pela Universidade Federal Fluminense.

Então, vamos parar com o verdadeiro MIMIMI, pois somos todos Mariella, Maria da Penha, Menino Bernardo, representando todos os brasileiros vítimas da violência.

Temos que considerar que toda luta pelo empoderamento da mulher, é uma luta contra a violência à mulher. Esse empoderamento que quebra ciclos e culturas como do machismo e do estupro, que levam a feminicídio, a fragilização das mulheres. Se é lamentável o discurso e comportamento machista, triste é o mesmo por parte de mulheres, que tiveram internalizadas pensamentos e hábitos retrógrados como esses.

 

Foto: ROVENA ROSA / AGÊNCIA BRASIL

Falta de Justiça

Marielle entrou a estatísticas de casos não solucionados, porém, há outros tantos que são identificados os agressores é não é feito justiça.

Segundo dados do levantamento realizado pela Human Rights Watch em 2017, no estado de Roraima, metade das acusações de violência doméstica prescrevem antes de alguém ser acusado. Não foi conduzida nenhuma investigação nos 8.400 boletins de ocorrência acumulados na capital Boa Vista.

Lamentável, mas isso não significa que não temos que denunciar. Temos sim! Temos que lutar para que justiça seja feita. E independente disso,  a rede de ajuda as mulheres vítimas de violência, auxiliam sair desse cenário e no empoderamento dessas. Para além da justiça, são mulheres fragilizadas que precisam superar traumas e estigmas, que necessitam ampliar seus horizontes para novas perspectivas de vida e positivas.

A violência pode variar conforme condições econômica, raça, gênero...porém, ninguém está isenta dela.

No ano de 2015, o Intituto Avon realizou a pesquisa Violência contra a mulher no ambiente universitário” e constatou que 2 em cada 3 universitárias brasileiras disseram já ter sofrido algum tipo de violência (sexual, psicológica, moral ou física) no ambiente universitário.

Para quem crítica a Lei Maria da Penha- só posso dizer uma coisa leia a LEI - clica aqui

Se tiver preguiça de ler, tenha também de opinar gratuita e alienadamente. E isso serve para tudo que é reproduzido nas redes sociais e conversas.

 

Não ignore essas informações. Dique 180, procure Centros de Referência da Mulher, ou Especializados da Assistência Social. Esses canais irão te escutar e aconselhar, DENUNCIAR , será uma escolha, e é sempre mais fácil tomar uma DECISÃO quando estamos conscientes das possibilidades.

Basta de MIMIMI sem conhecimento, se mulheres perdoam seus maridos e acreditam na SUPERAÇÃO desses, existe um ciclo que só profissionais podem compreender e ajudar a quebrar. Se as pessoas forem buscar A CURA de alguma coisa,  busquem a CURA de uma sociedade que ainda agride e mata por motivo fútil.

 

 Leitura para profissionais e pessoas com interesse no assunto -  versão PDF:

- Diretrizes para investigar, processar e julgar com perspectiva de gênero as mortes violentas de mulheres

- PREVENÇÃO E TRATAMENTO DOS AGRAVOS RESULTANTES DA VIOLÊNCIA SEXUAL CONTRA MULHERES E ADOLESCENTES

 

 

Petri Herdy

Bacharel em Serviço Social /    Gosta de fotografias, viagens e animais.
   

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