sábado, 28 março 2015 00:00

Obediência: quando é respeito ou medo – um tapa na educação! Featured

Written by

 

 

 

Esse artigo é para pais que buscam estabelecer o respeito familiar. Mas, também para qualquer pessoa que tenha reticências quanto a questão do medo e do respeito.

“Um tapinha não mata”, mas quem dá uma “tapa” querendo corrigir algo? Quem se ilude com isso? Revolta e raiva são os motivadores desse tipo de violência – sim: com “razões”ou não, é uma violência.

Há casos e casos, e não há como generalizar. Motivos para revoltas e raiva  você terá muitos, porém para o tapa em si serão dois motivos: revolta ou raiva – ou qualquer derivação desses dois sentimentos.

“ele me deixou preocupada”, “eu quase atropelei alguém atrás dele”, “arrumei confusão com todo mundo por causa dele”, “que vergonha você me fez passar” – tudo isso provoca raiva e/ou revolta, e por isso você bate.

Depois desse tapa ele vai aprender” -  Talvez aprenda que “toda ação gere uma reação”, “tudo tem seu preço”, “se fizer de novo saberá a conseqüência (o tapa)”.

 

Uma mãe está preocupada que o filho saiu 14h, quando são 18h já está desesperada, pensando um milhão de coisas – afinal a TV está ai para mostrar que “bicho papão” existe, muitos – 21h a criança chega. O alívio é curto, dá lugar rapidamente para a raiva. Ele foi à casa de um amigo, ficaram jogando vídeo game, e perderam a noção da hora, esquecendo de avisar. Ele então leva uma surra para nunca mais sair sem avisar.

 

Por que você não ficou indiferente a esse sumiço?  Por que ficou tão preocupada? Resgate essas emoções.

 

E o que a criança sabe do que você sentiu? Seja amor, preocupação, decepção... Onde depois do susto, ficou o diálogo para introduzir o valor de respeito que você quer construir na relação familiar?

 

Os relatos a seguir são reais - a escola descobriu as marcas no corpo da criança, após chamá-lo para advertir de uma briga com um coleguinha. Um amigo o provocou, ele achou que amigo estava errado, o estressando , e o agrediu, foi essa sua justificativa. A escola ao lhe advertir, observou as marcas no seu corpo, não foi da briga na Escola sem grandes consequências. Havia sido a primeira vez que sua mãe lhe bateu. Assim, foi também a primeira vez que a criança se envolveu numa briga na escola, até então era visto como o menino inteligente e amoroso. SIM! As crianças aprendem o que vivenciam. A agressão para ele passou ter razão em alguns casos. E só precisou de uma primeira vez... cada um tem seu nível de sensibilidade.

 

“Ele sempre obedeceu, o pai falava  respeitava na hora, mas desde os treze anos que não obedece, bate a porta, responde, só quer ficar na rua, trancado no quarto. Esses amigos dele...”

“Já tentei tudo, não adianta”.

É comum ouvir essas colocações de pais. Geralmente essa mudança não é repentina. Crianças crescem – matura e fisicamente. E se depois de uns “tapas” ou mesmo apenas ameaças deste, seu filho aprendeu e nunca mais desobedeceu até tal idade (geralmente onze anos), não é surpresa algumas mudanças. Ele provavelmente perdeu a “obediência” porque o que ele precisava aprender e nunca teve chama se RESPEITO.

 

Respeito, segundo o dicionário:  Ato ou ação de respeitar. Sentimento que leva a tratar alguém ou alguma coisa com grande atenção, profunda deferência; consideração, reverência: respeito filial.

 

A obediência e acatamento as regras estão movidos por essa ação.

 

Vamos ao crescimento – A maturidade – A passagem dos onze para os doze anos (há variantes, mas essa deveria ser a idade) há uma passagem da infância para a adolescência. Seu filho vai começar conhecer o mundo com novos olhos. Começa a fazer diferença a forma que os pais se tratam, as condições sociais na qual vivem, começam a querer participar da vida familiar e social. Substituem as perguntas engraçadas da infância, por afirmações e conclusões, quando não opiniões e intromissões inusitadas da adolescência. Começam a achar que não precisam dos pais para certas coisas.

Do crescimento físico – colocamos a forma de lidar fisicamente. Ele te obedecia devido a correção física não era? Era sim, você que atribui outros valores aos “tapas” ou ameaças, mesmo que nunca tenha feito de fato.

“Eu não vou tirar nota vermelha porque meu pai vai me bater”

Minha mãe me mata se eu chegar tarde” ( A mãe pensa “Ela não é doida, ela me conhece” relatando a certeza da obediência da filha.)

Mas, agora eles estão literalmente grandes, mesmo que seja só teoria infanto-juvenil (existem várias), acreditam que sabem se defender, quem tentar bater neles não vai conseguir, ou vai levar o “troco”.

Essas supostas reflexões não são assim tão claras para todos, talvez seu filho não fique pensando desta maneira propriamente, assim como você não pensou quando o ameaçou ou bateu “eu estou com raiva, não importa o resto, você não vai fazer isso de novo, me deixar assim”. São reflexões que podem ser inconscientes, mas tem tanto efeito na hora de agir quanto quando consciente.

 

"Felicidade é quando o que você pensa, o que você diz e o que você faz estão em harmonia" Mahatma Gandhii

Na falta de pensar, de alinhar o que pensou, disse e fez, agora não é o mundo que rouba o seu filho. Não é uma mudança drástica e repentina. Seu filho não deixou de obedecer. Talvez, seu filho só tinha medo de você e nunca te respeitou, porque nunca soube o que era respeitar, ou quanto isso era importante para você. Talvez, nem você tenha tido isso muito claro, no processo em que você aprendia ser mãe/pai. Afinal, este também é um processo. E cada filho, é aprender de novo. Cada um tem sua personalidade, nasce em um contexto diferente. O primeiro tinha só os pais de base, o segundo já tem uma presença do irmão... Cada ser é único. E cada pai e mãe serão únicos, em cada fase de sua vida, com cada filho que tiver. O que não difere o amor que tem por eles.

 

“Eu Não vou tirar nota vermelha, porque eu vou perder tempo para recuperar, não vou poder fazer outras coisas que gosto, e meus pais irão ficar decepcionados, porque eles me amam e se dedicam como podem para que eu tenha uma boa educação”

O pensamento acima seria um resultado de uma educação com base no respeito.

Pensamentos, intenções  - algo muito subjetivo que nos remete diversas discussões. Mas, lembrem-se - irão REFELETIR literalmente – como um espelho – tudo aquilo que vivenciam. No mais eles não poderão adivinhar, e aprenderão com o tempo e a vida, e que não seja tarde para determinadas coisas.

 

Se você bate só em casos extremos, e seus pais lhe bateram nem por isso você se tornou uma pessoa ruim (e isso justifica você refletir como um espelho a mesma ação sobre seus filhos) lembre-se e se responsabilize que você está dizendo “Um tapa é feio, eu não queria te bater... mas eu faço para te corrigir,  a raiva justifica o tapa, e você está errado” – tem algum cabimento nisso?

 

Coloque essa frase na cabeça do seu filho, e entenda porque quando ele tiver tamanho suficiente, acreditará que cada “desobediência”, sejam agressões físicas ou em palavras (que muitas vezes dói mais) têm explicações, mesmo que ninguém mais as compreendam. E que isso NÃO comece antes desse crescimento físico para com os responsáveis, afinal se vai demorar um pouco para olhá-los na mesma altura, já estarão encarando “de igual” os coleguinhas da rua ou da escola.

 

“Mas eu conversei sobre tudo isso com ele, expliquei tudo”

 

Como explicou? Como foram essas conversas?  Uma explicação não anula a outra. Com que atitudes você tem educado seu filho? Não vale dizer “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”, ai você não terá compreendido nada, sendo covarde e tratando com descaso seu bem mais precioso “seu filho”. Se quiser ditos populares, fique com “errar é humano, cometer o mesmo erro é burrice”. Não há culpados quando há boa intenção e amor. Evoluir é um processo contínuo.

 

Por pais que astralizam!

 

*Todas as frases citadas como suposição foram ouvidas por país em acompanhamento psicossocial. 

**Muitas vezes, mesmo conscientes, sem intenção, não conseguimos lidar com algumas explosões de emoções prejudiciais, e isso pode tratar-se de dificuldades pessoais internas. Consultar um psicólogo ou grupo/profissional terapêutico pode ajudar. 

 

Clique aqui para comentar com Facebook

© 2008 Astraliza Entretenimentos. All Rights Reserved.

Please publish modules in offcanvas position.